sexta-feira, 23 de março de 2012

Califórnia

Peguei nossas malas e joguei no porta malas, depois verifiquei se não estávamos esquecendo de nada. Estava tudo lá dentro, então partimos pra algum lugar. Não sei quem é o motorista, só sei que estamos no banco de trás. Você agarrou meu braço, deitou sua cabeça no meu ombro e adormeceu. Eu continuei olhando a paisagem da estrada, deixando um peso para trás. Depois de um tempo você acordou, conversamos e rimos. Meu celular tocou, eu atendi e disse que estava tudo bem. Logo depois foi a vez do seu, mas a ligação foi ignorada. Talvez eles não entenderiam que estava tudo bem. Quanto melhor estivesse, pior.

Era um momento de desespero por liberdade.

Lembro daquela vez que tive que voltar de carona com seu irmão. Você dormiu no meu ombro, e quando eu fechava os olhos imaginava que estávamos indo pra algum lugar longe de tudo. Só que não era longe de nada, a não ser de você. Eu só estava voltando pra casa, e o resto da história a gente já conhecia muito bem: Muita saudade, muitas noites sem dormir, muita dor de estômago, muito amor e pouco tempo juntas. De verdade.

Muitas vezes pensei nisso, e pra mim, seria muito fácil fazer algo assim. Me via largando tudo pra trás, pra ter uma vida nova com você. E isso não me incomodava porque eu acreditava nisso. Meus pensamentos egoístas deixavam família, amigos-irmãos, animais de estimação, lugar de origem e uma vida pra trás. Os meus Cento e Cinqüenta e Sete Centímetros viravam Dois Metros e eu me via passando por cima de tudo e todos. Por você e com você.

Deitava minha cabeça no travesseiro e me perguntava o que viria em seguida. Era uma pedra atrás da outra, em momentos inesperados. Elas machucavam, mas eu juntava todas elas pra jogar de volta depois, e com mais força. E me angustiava não poder te proteger disso. Não poder te tirar desse tumulto e te levar pra esse “algum lugar” que sempre partíamos, na minha cabeça. A minha vontade era de trocar de lugar com você, mesmo que fosse por um dia. Passar por tudo que passei, no seu lugar. Mas isso não aconteceu, e não vai acontecer.

Oh Kelsey...

domingo, 18 de março de 2012

You had me at...

I saw your soul
before your piggy bank
You had me when you made me laugh
with your silly sense of humor
But was in your eyes that I saw YOU
Forget the cameras, look at me again
let me see your soul
Come closer, hug me
just like you did last night
in my dream
Put my arms around you
comfort me, make me laugh
Let me know you,
let me be a fool with/for you
It's such a shame that we can't be together
for real...
I don't really know you, but I really miss you
miss your hugs...
How is it possible?
If we can't be together, don't come anymore
I don't want you in my dreams anymore
Don't look at me, don't make me laugh/smile
Don't show me your soul
Don't be yourself
Because, maybe, if you don't be yourself,
I can forget the reason why I am in love.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Você sabe o que quer?

Você acorda sorrindo

E dorme chorando.

Construiu uma vida de mentira,

Você vive sonhando.


Encontra alguém dos livros de fantasia,

Tudo que sempre quis.

Diz que o ama,

Mas sabe que é infeliz.


Você sabe o que quer?

Não é legal trocar os nomes.

Você sabe o que quer?

Pode voltar atrás quando quiser

Mas você sabe o que quer?


Todos se confundem um dia,

Mas por tudo que passamos

Pensei que não houvesse dúvidas

De que você é minha.


Você sabe o que quer?

Mesmo lembrando do amor

Você sabe o que quer?

Escolheu a nossa dor

Porque você não sabe o que quer.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Não é amor

Eu escrevi muitas coisas sobre você, coisas que você nunca vai chegar a ler.

Não sei o que quero, mas sei do que preciso.

O que você sente por mim não é amor...

Agora eu vejo, você é um manipulador.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Always missing You

I have to say that i miss you, but is more than that.
I did and still do a lot of things, just to try to get over you.
To get over us. Our past.
There was some people.
At first, you think that will be different;
That, finally, you'll get over your past;
But it was never different.
None of them made me feel special.
Made me feel what I felt with you.
I tried really hard, but I got tired to pretend.
Tired to fake feelings.
Actually, they were all different.
They were different from you.
And when I realized it,
I missed you even more.
I still do.
Missed us.
Missed me.
And it always makes me wonder if I'll
ever feel special again.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

hey Moon

Hoje me flagrei enamorando a Lua, e mergulhando nas lembranças e imagens que ela me traz, como sempre. Lembrei que essa Lua é a mesma para todos. Ela tem o poder de, vamos dizer, ligar as pessoas; conectá-las de alguma forma. E em quase todas as vezes que fico observando, me pergunto quem mais está fazendo o mesmo. Com quem mais estou "conectada". E se você é uma dessas pessoas.
Por isso, se alguma vez, algum dia, sentir saudade ou sentir vontade de mim, olha para a Lua que também estarei olhando. Eu também, quando a saudade apertar, vou implorar por você. Dessa forma, estaremos juntas por alguns instantes.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

3 minutos e 34 segundos

Ouvi os primeiros acordes de Adore, e me vi sozinha sentada numa sala de cinema. Vi e senti tudo que tinha direito, direto de 2008. De repente vi uma menina aparentemente frágil entrando na sala, e parecia estar perdida. Ficou parada na porta, e não esboçava sentimento nenhum. Tudo que fazia era olhar para aquela tela gigante e depois voltava a me observar. Só notei que ela não estava mais ali, quando a vi sentada ao meu lado. Continuei olhando aquele filme que era bonito e triste, mas confesso que estava um pouco incomodada com a presença daquela pessoa estranha. Ela pousou sua mão em cima da minha e se pronunciou:
- Foi lindo, não foi? – disse ela, enquanto secava uma lágrima.
Virei-me para olhá-la diretamente, e me perguntei se já tinha a visto antes.
- Desculpe, mas do que você está falando? – e soltei aquela minha risada de quando fico nervosa ou perdida em algum assunto. Ela riu de volta.
– Sua história. Foi tudo muito lindo, não foi? – e então ela me olhou nos olhos. Pude ver seu rosto encharcado, e presumi que ela tinha desistido de secar as lágrimas. Minha respiração foi ficando acelerada e alterada. Tirei minha mão que estava junto dela, e arrumei meu cabelo para disfarçar.
- Não sei do que você está falando. Pra falar a verdade, já estou de saída. – me levantei e me dirigi á porta. Eu parei. Parei quando a ouvi soluçando de tanto chorar. Fechei meus olhos e decidi voltar sem saber porquê. Voltei para o meu lugar e não sabia o que fazer. Ela estava aos prantos.
- Olha, eu não te conheço, mas você parece me conhecer. Não sei como, nem onde nos conhecemos. Mas, por favor, pare de chorar. Seja lá o motivo disso, vai passar.
- Você sabe que não passa, não seja mentirosa.
Ela tinha razão.
- Não passa, mas pode ser menos dolorido. – eu disse com certa segurança, olhando fixamente o telão.
Ela enxugou suas lágrimas e conseguiu se acalmar. Voltou a me olhar, e eu não tinha forças para ir embora.
- Você me conhece tão bem...E eu te conheço muito bem também. – ela olhava me olhava fixamente. E eu me virei para fazer o mesmo.
- Não, não te conheço. De onde você é, quem você é? Fala logo...
- Eu sei exatamente o que se passa nesse filme, sei tudo o que você sentiu e está sentindo agora. Sei as falas também, datas, e detalhes...Tudo. O que vai acontecer eu sei também. É torturante, frustrante, é dolorido demais, inexplicável, é imenso. É vazio, oco.
- Sim. – não conseguia fazer mais nenhuma pergunta, nem verbalizar nada.
- Eu sou você. Eu sou você nessa época, não vê? , - disse apontando para o telão.
Não me assustei com as palavras. De algum modo, parecia que eu a conhecia também, e eu acreditava nela. Virei-me para o telão, mas não enxergava a menina que estava ao meu lado.
- Me desculpe, não estou te vendo no filme.
- Eu posso entender isso. Tudo mudou mesmo, era muito provável que você não me reconhecesse mais.
Voltei a encarar o telão, tentando achar algum vestígio dela. Não consegui. Respirei fundo, pra conseguir falar algo.
- Você, apesar de ser eu, é muito diferente de mim. Eu não me vejo mais assim. Não me reconheço. Você possui uma parte de mim que não existe mais. Isso me fazia inteira, hoje não sou a metade que eu era. Têm planos e sonhos que, hoje, não me pertencem mais. Não têm medos, exceto um, que você sabe qual é. Era direta e segura de si, do seu futuro, do seu destino, do seu amor. Hoje eu não tenho certeza de mais nada. Nem planos eu tenho direito. E – fui interrompida quando as luzes foram acesas e o telão apagou. Procurei pela menina, e não a encontrei.
Me vi sentava na minha cama, sozinha, encarando a TV desligada. No silêncio.
A música tinha acabado.